DIA 1: SONHAR A CASA NA PENÍNSULA DE MARAÚ
- 17 de fev.
- 2 min de leitura
Atualizado: 23 de fev.
Bacurau é aqui e agora. Tetéia vem aí!

Essa é a primeira publicação do Quase Diário da Tetéia e, como o nome sugere, não acontecerá diariamente, nem será linear. Até aqui muita água já passou por baixo da ponte, e construir uma casa no meio do mato, perto do mar, numa vila com pouco mais de 600 habitantes, é uma aventura e tanto. Principalmente para quem saiu de São Paulo, onde o tempo das pessoas e o tempo dos algoritmos são praticamente a mesma coisa. Esse foi o primeiro choque de realidade em Bacurau, como apelidei carinhosamente a Península de Maraú. E, acreditem, é elogio. Aliás, beijos pro Kleber Mendonça, tudo pra mim.
Viver em uma vila pequena como Maraú é uma espécie de reeducação temporal. Um outro modo de vida. Slow living, como diz o marketing mais perto de vocês. Aqui, simplesmente acontece — sem conceito, sem hashtag, sem promessa de vida curada. Só o ritmo real de quem vive aqui há gerações. Para quem veio da lógica acelerada e comprimida de São Paulo, isso não é tendência: é colisão de mundos.
Vou começar por onde estamos agora:
Projeto arquitetônico: check
Empreiteiro dentro do orçamento inicial: check
Todos os projetos técnicos e licenças: check
Financiamento da Caixa Econômica Federal: check
Obra atrasada: check
Obra sem atraso não é obra — e esse foi o primeiro aprendizado de autocontrole, simpatia e, às vezes, um empurrãozinho energético do além. Com as sapatas cavadas, os baldrames impermeabilizados e o churrasco da laje a caminho, dá até para chamar de alegria.
A quantidade de engenheiros e camadas burocráticas necessárias para construir em um terreno alagado como os de Maraú beira o épico. Eu nunca acompanhei Big Brother em mais de 20 anos e também nunca achei que fazer uma casa fosse um bicho de sete cabeças — mas depois do último ano, sinceramente, me sinto capaz de produzir qualquer coisa. Uma fábrica de navios, talvez.
Ah, quando digo “estamos”, é porque quem embarcou comigo nessa jornada foi o Rodris. Ele vai aparecer aqui mais de uma vez, então vale dizer que essa segunda pessoa do plural tem nome, história e participação ativa na loucura toda.
A laje vem aí — e vale dizer que ela não existiria sem uma vila inteira, um punhado de pessoas que, de alguma forma, sempre aparecem quando é preciso. Estamos há quase cinco anos nos preparando para esse momento e um tanto dessa preparação (e dos imprevistos também) vão aparecer por aqui nos próximos dias.
Este diário é sobre a Tetéia, nossa casa, e sobre como decidimos
sonhar a casa dentro da casa.




Comentários