DIA 7: LIMITES, MATA NATIVA E O QUE REALMENTE FUNCIONA EM MARAÚ
- 16 de mar.
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Regina sabia o que funcionava em Maraú — materiais disponíveis, fornecedores, técnicas adequadas ao clima úmido do litoral da Bahia e, principalmente, o que não funcionava. Isso mudou completamente o rumo do projeto. Foi assim que evitamos construir um Pavilhão da Bienal no meio do mato.
Desde o início ficou claro que a casa precisaria caber no território. O plano diretor do loteamento exigia 60% de área permeável, mas mais do que cumprir regra, queríamos preservar o máximo possível da mata nativa. Estamos numa região de estuário, com solo arenoso e drenagem delicada. Construir ali significava respeitar o fluxo da água, a intensidade das chuvas e os limites da terra.
Construir uma casa sustentável no litoral não era uma questão estética. Era técnica. Era aceitar que drenagem, ventilação e manutenção pesavam mais do que qualquer referência bonita salva no Pinterest.
Dentro da metragem que cabia no orçamento — e nas regras do plano diretor — tivemos que fazer escolhas difíceis:
– quatro suítes viraram três;
– o ateliê diminuiu;
– a área social ganhou apoio externo; – o jardim encolheu; – a pia dupla no banheiro foi abandonada.
O sofá ilha permaneceu. Pequenas vitórias ajudam.
Escrito assim parece simples, mas foram nove meses de ajustes, simulações e cortes até chegar a uma arquitetura de casa de praia que realmente funcionasse na Península de Maraú. Não a casa idealizada, mas a casa possível.
Morar em Algodões foi determinante. Só vivendo ali entendemos como o vento circulava, como a umidade se acumulava, o que apodrecia rápido demais e o que resistia ao salitre. Muitas casas na região funcionavam bem para temporada, mas não para 365 dias de vida real. A diferença entre visitar e morar redefiniu o projeto.
No fim, a casa não era menor. Era mais coerente.
E quando finalmente pareceu que tudo estava alinhado — território, programa e orçamento — entendemos que o desafio seguinte não estava na terra.
A burocracia estava só começando.




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